segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Paralisação dos Correios gera chance para empresas de logística

Soraia Abreu Pedrozo
do Diário do Grande ABC

O popular chavão do mundo dos negócios já diz tudo: crise é oportunidade. Neste caso, a oportunidade foi gerada para as empresas de logística em cima da crise causada pela greve nos Correios, que hoje entra no nono dia útil de paralisação.

As empresas de moto entrega do Grande ABC registraram volume de entregas até 30% maior do que a média diária. É o caso da Rapidesh Transportes Express, de São Bernardo. A proprietária Sueli Belini conta que das 70 saídas por dia, com a greve, o total subiu para 85. "A maior parte dessas encomendas a mais foi de documentos", conta. O que, se não houvesse a greve, provavelmente seria entregue via Correios. Um de seus motoboys, Roberto Luiz Custodio, atesta: "estamos trabalhando muito mais nesses dias".

"Toda vez que tem a paralisação dos serviços acontece isso. A gente lucra mais. No ano passado foi a mesma coisa (em setembro de 2010 os Correios pararam suas atividades por 15 dias)", diz José Lopes, proprietário da Jota Express, de Diadema.

A média de 15 entregas diárias subiu para 20 nos dias de paralisação. "O número não foi tão maior porque estou com três motoboys a menos. Se tivesse mais funcionários, atenderia mais pedidos", conta Lopes.

Diego Ferreira, responsável pela logística da 3D Express - Entregas Rápidas, de São Caetano, relata que seu movimento foi levemente maior; das 40 entregas que realiza normalmente, teve incremento de duas. Ele alega que os pedidos seriam maiores não fosse a diferença entre os valores. "Muita gente chega a ligar mas, quando vê o preço, acaba desistindo."

PREÇOS

De fato, a distância entre os valores cobrados é grande. Para se ter ideia, uma encomenda leve que seja entregue na região tem custo médio de R$ 28, por meio de motoboy. Se for para São Paulo, o desembolso sobe para R$ 40. Nos Correios, tem-se gasto médio de R$ 12,60 para o envio pelo Sedex convencional (cuja entrega é feita de um dia para o outro) com peso de até um quilo. Para uma carta comercial registrada, sem aviso de recebimento, é cobrado R$ 3,90 para peso de até 20 gramas às pessoas jurídicas e de R$ 3,55 às pessoas físicas. As cotações foram feitas partindo de um CEP da Vila Guiomar, em Santo André, para outro de Santana, em São Paulo.

A diferença, portanto, considerando a locomoção entre as duas cidades, pode chegar a R$ 27,40 - considerando o Sedex. Se for um simples documento, R$ 36,10.

O diretor geral da operadora logística de material promocional Autlog, Flávio Augusto Abrunhoza Filho, aponta que essa discrepância entre os custos se justifica pela infraestrutura. "Nos Correios, o investimento é feito em pessoas. Os carteiros distribuem as encomendas a pé, e o transporte é feito por carretas. O modelo é eficiente, mas rústico. Não têm gastos com veículos, seguro e rastreamento de cargas."

Firmas lucram com atendimento corporativo

A paralisação dos Correios também gerou impacto para as operadoras de logística, que atendem exclusivamente empresas, não abrindo espaço para pessoas físicas.

A Autlog, que atua exclusivamente com materiais promocionais, realizando a montagem de kits e itens de divulgação e a distribuição dos mesmos, somente na semana passada registrou aumento de 30% nas entregas, que subiram de 1.000 para 1.300.

"As companhias aéreas estão todas sobrecarregadas por conta da paralisação dos Correios", conta o diretor geral Flávio Augusto Abrunhoza Filho. "Nós operamos também com eles, porém, com a greve, uma simples pasta com a nova linha de produtos estamos enviando por via aérea ou rodoviária."

A TNT Express, companhia de logística e transportes, revela que as ligações do atendimento ao consumidor cresceram 150% na última semana. Segundo Carlos Ienne, diretor da divisão Express no Brasil, ainda não foi possível mensurar quantos desses telefonemas foram convertidos em entregas. "Na greve dos Correios do ano passado o volume de encomendas cresceu 10%."

Ienne diz apenas ter notado alta nos envios de pequenas amostras de carne e frango para a Rússia. "Ainda é muito cedo para estimar os números."

HISTÓRICO

Durante os nove dias úteis de paralisação dos Correios, o Grande ABC amarga 5 milhões de objetos encalhados nas centrais de distribuição. O volume médio de entrega diária é de 750 mil, mas, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos da Capital e Grande São Paulo, apenas 100 mil estão chegando ao destino.

Os Correios propõem reajuste salarial de 6,87%, aumento real de R$ 50 e abono de R$ 800. Considerando o piso da categoria, de R$ 807, daria aumento de 13%, para R$ 911,90. O sindicato, porém, pede aumento para R$ 1.635 e reposição da inflação de 7,16%. Os pedidos dos trabalhadores foram entregues há 53 dias aos Correios

Fonte: Diário do Grande ABC

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